Fitocosmética Natural: um retorno para um novo caminhar

A Fitocosmética natural nada mais é do que cosméticos naturais que utilizam as propriedades medicinais das plantas em suas diversas formas: óleos vegetais, óleos essenciais, ervas aromáticas, frutas, tinturas e extratos, manteigas vegetais, cereais, entre outras. Os cosméticos são os produtos que utilizamos diariamente para higiene, saúde e estética do corpo. Nos últimos anos a fitocosmética natural vem crescendo, principalmente através dos movimentos agroecológicos e da permacultura, que vem construindo mudanças nas relações de produção-consumo, com princípios ecológicos e mais justos.

11225107_1709046695980920_2946492995586539466_o

 

Ao contrário do que muitos pensam, fitocosmética natural não é algo novo, é milenar. É a ressignificação de práticas já sabidas. Até o surgimento da Química e da Revolução Industrial, os cosméticos eram feitos de forma artesanal, através de matérias primas naturais e locais com receitas das famílias/comunidades. Práticas essas que devem ser resgatadas e valorizadas por estar intrínseca em nossa consciência coletiva e presente em nossas memórias, nas memórias de nossas avós e de nossas mães, nos proporcionando formas de harmonização do corpo. Para além disso, é resgatar e vivificar saberes locais, populares e ancestrais.

A indústria dos cosméticos e a utilização de produtos convencionais é algo novo e muito recente em nossas práticas diárias. Porém, é um processo tão feroz, que nos faz esquecer e desacreditar no poder existente do reino vegetal, ou mesmo lembrarmos que em nossa cozinha já tem boa parte do que precisamos pra essas necessidades diárias.

A cosmética natural é simples e eficaz. Começa primeiramente nas nossas cozinhas, como dito acima, em nossa casa e no quintal (ou varanda), ou seja, ela começa no espaço doméstico, com alimentos que fazem parte de nossa alimentação e ervas que podemos cultivar na nossa casa ou até coletar pelas ruas. Ela não pode estar dissociada da nossa alimentação, é uma relação que co-existe. O que usamos pra nos alimentar podemos usar também externamente no nosso corpo, e também ao ingerir alimentos naturais e saudáveis já resultam por si só em funções cosméticas e estéticas.

E por que buscar essa transição?

Mais uma vez, não podemos dissociar a cosmética da alimentação! São as mesmas questões, preocupações e lógicas. Ao tomarmos consciência de como os alimentos industriais são prejudiciais para nossa saúde, socialmente e para a Mãe Terra, precisamos compreender também que da mesma forma funciona para os produtos de cosméticas industriais, com sua composição toda sintética e de ingredientes perigosos que derivam do petróleo e silicone, óleos minerais, metais pesados, conservantes e corantes. Muitos desses estão relacionados com doenças e alergias, além de serem extremamente maléficos para o meio ambiente, principalmente para as águas. Compostos químicos e nocivos que usamos várias vezes ao dia, acumulam-se em nosso corpo e na nossa corrente sanguínea. Basta ler os rótulos dos produtos e verá o quão difícil é conhecer e saber o que você consome. Muitos desses compostos são subprodutos da II Guerra Mundial,  que foram e ainda são utilizados como pesticidas. O Repelente convencional por exemplo, é um daqueles produtos que tem composição quase idêntica aos sprays que matam baratas e insetos! Mesmo os produtos industriais convencionais que se vende como sendo “fitocosméticos”,  na realidade quando analisados os rótulos, vemos que o ingrediente derivado da planta na verdade é o último da lista, atrás dos vários componentes químicos que compõem o produto. Sim, é tudo propaganda enganosa! Todos esses compostos químicos ajudam no envelhecimento, ressecamento e atrapalham o processo natural da pele e do corpo.

tumblr_na07uixNZg1qetqp1o5_1280

A mudança não acaba apenas na transição dos produtos, na troca de um tipo de alimentação/cosmética por outra mais ecológica, as transições perpassam também pela relação de produção-consumo, pelas relações sociais. Essa nova consciência pode se tornar apenas oportunidade para novos nichos de mercado, como já vem acontecendo na alimentação com algumas vertentes alternativas. Precisamos fortalecer e incentivar a economia local, solidária e as produções artesanais. Fortalecer cada vez mais a cultura, a identidade e os conhecimentos locais sobre as plantas, os alimentos, as variedades e matérias primas naturais. Até porque sem esses conhecimentos a quantidade e a forma que será extraída da natureza, poderá resultar na exploração da mesma. Um exemplo para isso é o Sal do Himalaya, um sal que muita gente vem consumindo por seus benefícios, porém vem causando um grande impacto ambiental e social no Himalaya. Esse exemplo serve para todas as outras fontes naturais, seja de cosmética quanto de alimentos. Não vai dar pro mundo inteiro utilizar a Copaíba da Amazônia! Por isso, a importância de resgatar os saberes e culturas locais.

Quanto de conhecimento perdemos e estamos perdendo com a homogenização da vida?! Quantos impactos causamos nesse processo?!

Taí questões que devemos refletir e levantar junto com essas transições que estamos buscando. Que essas transformações estejam ligadas por uma teia de mudanças que se relacionam entre si.

É por isso que nós acreditamos que a fitocosmética e a alimentação natural tem que estar em diálogo e sintonia com o que a Agroecologia e a Permacultura propõe. Por culturas permanentes e locais, por outra economia, por feiras agroecológicas e espaços verdes, mais olho no olho,  por relações e distribuições mais justas, pela autonomia e claro, pelo protagonismo das mulheres nessa construção e nesses espaços!

10171284_629742097111502_3374711985635504144_n

 

No mais, sigamos na busca e fortalecendo a corrente!